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Fóton: Literatura e Outras Partículas
 


POESIAS DE ESPANHA

LANÇAMENTO 

 

 

Anote na sua agenda e compareça.

 

As informações completas sobre o lançamento estão aqui.

 



Escrito por Victor Del Franco às 15h58
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O CASULO 10

LANÇAMENTO

 

 

Nesta edição:

 

- Entrevista com o poeta Armando Freitas Filho

- Homenagem a José Paulo Paes

- Crítica Literária sobre a obra de Paulo Ferraz

- Poemas de Danilo Bueno, Márcio-André e Valéria Tarelho

- Resenha do livro de Diniz Gonçalves Jr.

- Crônicas de Andréa Catrópa e Elisa Andrade Buzzo

- Quadrinhos de Jozz

- Tradução de um poema de Kim Doré

- Seção Diversas Vozes - 8 poetas

- Ilustrações de Marina Faria

 

Venha garantir o seu exemplar d´O Casulo,

a distribuição é gratuita.

 



Escrito por Victor Del Franco às 19h59
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O CASULO 9

LANÇAMENTO

 

 

  

Nesta sexta-feira, durante a abertura da FLAP! 2008,

será lançada a nona edição do

Jornal de Literatura Contemporânea – O Casulo,

e a distribuição é gratuita.

 

 

Nesta edição:

 

- Entrevista com o poeta Joan Navarro

- Tradução do poema P´Oasis de Robert Desnos

- Poemas de:

       Alckmar Santos

       Érica Zíngano

       Greta Benitez

- Seção Diversas Vozes – 9 poetas

- Ilustrações de Rogério Barbosa

 

Venha assistir a FLAP! e garanta o seu exemplar d´O Casulo.

 

 

Para conhecer o blog d´O Casulo, clique aqui.

 

Para saber mais sobre a FLAP! 2008, clique aqui.



Escrito por Victor Del Franco às 17h19
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FLAP! 2008

 

 

  

A 4ª edição da FLAP! está próxima e desta vez ela chega com muitas novidades.

 

Para conferir os detalhes e toda a programação da FLAP! 2008,

basta clicar aqui.

 

 

Anote na sua agenda e compareça.

 

FLAP! 2008

Viva la Conexión!



Escrito por Victor Del Franco às 16h00
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A VACA NA SÉRIEALFA

 

 

  

A sérieAlfa é uma revista eletrônica de arte e literatura que é editada pelo poeta espanhol (valenciano) Joan Navarro.

 

 

Ele esteve aqui no Brasil, em 2007, para participar do Tordesilhas – Festival Ibero-americano de Poesia Contemporânea. Na ocasião, ele conheceu o trabalho do Coletivo Vacamarela e agora, na 38ª edição da revista, ele publicou poemas de todos os integrantes do grupo.

 

A revista é trilíngüe (português, catalão e espanhol).

 

Segue abaixo um trecho da apresentação (em catalão) do Coletivo Vacamarela na sérieAlfa:

 

El Col·lectiu VACAMARELA està format per 17 poetes que organitzen la FLAP!  des de la seua primera edició. En la seua majoria paulistans, van reunir les seues experiències individuals per a intensificar accions prèvies d’investigació i divulgació de la literatura contemporània, en especial de la poesia. La formació acadèmica en las àrees de Lletres, Dret o Comunicació és una dada comuna a tots els integrants del grup que, no obstant això, té la preocupació d’estendre el debat literari més enllà del públic especialitzat, format en la seua majoria per escriptors, crítics, professors i estudiants de literatura.

 

(...)

 

També en 2007, el Col·lectiu Vacamarela organitzà tertúlies i presentacions  en institucions com ara la Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura, la Biblioteca Alceu Amoroso Lima i el SESC Consolação, entre d’altres. Una altra acció, que va llançar oficialment el grup, fou l’organització de l’Antologia Vacamarela – 17 poetas do XXI, que conté una mostra de la producció de cadascun dels integrants del col·lectiu. L’edició del llibre és trilingüe (portuguès–espanyol–anglès) i la maquetació, l’edició i la traducció del volum va estar integralment a càrrec del grup. Aquesta iniciativa va tenir com a propòsit mitigar la barrera de la llengua en la divulgació de la poesia brasilera actual en països de llengua hispànica i anglesa.

 

Para conferir a apresentação completa

e todos os poemas do Coletivo VACAMARELA, basta clicar aqui.

 

Para conferir outras edições da revista sérieAlfa, basta clicar aqui.

 



Escrito por Victor Del Franco às 13h28
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CAIXA PRETA

 

 

  

Segundo as palavras da própria Andréa, ela já tem um filho, já comprou duas árvores e agora está lançando o seu primeiro livro, Mergulho às avessas, pela Lumme editor.

 

 

Outros dois livros também serão lançados, a saber:

- Pincel de Kyoto (Wilson Bueno)

- Poemas diversos (Elson Fróes)

 

Anotem as coordenadas:

 

Terça-feira, 24 de junho

a partir das 19 horas

Casa das Rosas (av. Paulista, 37)

 

 

Dois poemas da Andréa Catrópa:

 

 

SOB AS ONDAS

 

vamos a um lago

ou cachoeira imaginária

um pouco de torpor é preciso

talvez lá

nos espere um outro reflexo

estranho como deve ser o rosto

de um afogado

 

 

FOSSO

desgosto de tudo
não sei se doença
a aura inversa das coisas
ilumina-se
em saturno
sonhos de chumbo
são mote e blecaute
fantasmas de fumo
abrem o cadeado da pele
penetram pelos poros
pulmões são cinza massa
encefálica medula óssea
e há sempre um lugar mais fundo
onde cavar



Escrito por Victor Del Franco às 17h04
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GREGUERÍAS

 

 

  

 

Se há alguma coisa que deve se dizer logo de início é que o autor das Greguerías, Ramón Gómez de la Serna (Madri, 1888 - Buenos Aires, 1963) é toda uma literatura, como acontece com os universos verbais de Pessoa ou de Borges. (...)

 

Ramón adorava o mundo sem necessidade de subterfúgios teleológicos de nenhuma espécie. (...) E, como Alberto Caeiro, encontra metafísica suficiente em qualquer coisa simples, nesse território de jogo chamado mundo e do qual se desprende a relativização de nosso próprio lugar. Talvez por ter uma forte noção de que a realidade é esmagadora (...), Ramón propunha veementemente que só cabe escapar pela lei da imaginação (...)

 

As primeiras greguerías surgem antes do Manifesto dadaísta de T. Tzara, com nascimento datado entre 1910 e 1912. (...) Trata-se de um artefato literário na fronteira da prosa e da poesia, pela sua “capacidade de associação plástica”, onde o relâmpago visual e a concentração verbal se juntam. Ou quase haikus em prosa, como comparou Pedro Salinas, pela sua “atitude puramente poética, intuitiva”. (...)

 

Sabido é também que o escritor renunciava ao nome de aforismo por ter inventado essa voz própria: greguería, e a sua equação mágica: “metáfora + humor = greguería” (...) No fundo, a palavra breve, rápida, minúscula, que cruza em zigue-zague, quer estar mais perto da imaginação que dos versos em nó costurados. (...)

 

Daí que nas greguerías se reúna tudo, sem divisões nem classificações. Tudo entra na escrita de Ramón, nesse detector gregueriano que não pára de funcionar, de ativar-se nas correntezas do mundo, com seus vários tempos sincronizados. O mundo é um bazar que não separa imaterial e material. Estamos longe do discurso unificador, solucionador de mistérios e mais perto da dispersão que soma e acrescenta dados para uma totalidade impossível, sempre emendada, nunca articulada definitivamente. (...)

 

(Trechos do prefácio de Adolfo Montejo Navas)

 

 

Para completar os trechos acima, aqui vão algumas greguerías:

 

Ramón Gómez de la Serna

 

- Excesso de fama: difamação.

- O divã é uma cama que não tem pés nem cabeça.

- Era um pintor tão velho que seus pincéis ficaram carecas.

- A cabeça é o aquário das idéias.

- Colar de pérolas: dentadura postiça da garganta.

- Pingüim é uma palavra atacada pelas moscas.

- A letra Q é um gato que perdeu a cabeça.

- A morte é hereditária.

- O menino tenta tirar suas idéias pelo nariz.

- O livro é um pássaro com mais de cem asas para voar.



Escrito por Victor Del Franco às 03h40
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FLAP! 2008

 

 

  

Os preparativos para a próxima edição da FLAP! já começaram.

O tema deste ano será ZONA FRANCA e a proposta é fazer uma conexión com a América Latina e suas linguagens.

 

 

Para acompanhar as informações e detalhes

da FLAP! 2008, basta clicar aqui.



Escrito por Victor Del Franco às 01h45
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SONETO CAMPEÃO

 

 

 

  

Quando surge o alviverde imponente
No gramado em que a luta o aguarda
Sabe bem o que vem pela frente
Que a dureza do prélio não tarda.

E o Palmeiras no ardor da partida
Transformando a lealdade em padrão
Sabe sempre levar de vencida
E mostrar que de fato é campeão.

Defesa que ninguém passa
Linha atacante de raça
Torcida que canta e vibra

Por nosso alviverde inteiro
Que sabe ser brasileiro
Ostentando a sua fibra.

 

 

 

 

 



Escrito por Victor Del Franco às 20h12
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LAPSUS DA VACA

 

 

  

Em 2007 foi lançada uma antologia com a presença de todos os integrantes do coletivo Vacamarela. O lançamento ocorreu durante o Tordesilhas – Festival Ibero-americano de Poesia Contemporânea. Pois bem, a tal antologia foi reproduzida e “relançada” na Revista Lapsus nº 9, que é co-editada pelo peruano Giancarlo Huapaya, um dos vários poetas que esteve aqui no Brasil e participou do Tordesilhas.

 

 

Segue abaixo o texto de apresentação no site da Revista Lapsus:

A propósito de una fugaz estadía en Brasil en el evento literario Tordesilhas 2007, tuvimos la feliz ocasión de conocer al colectivo literario VACAMARELA, grupo de jóvenes poetas quienes a partir del 2005 bajo la géjnesis del "Proyecto Identidad", vienen desarrollando diversas actividades en pro del quehacer poético. Han sido responsables de la organización del FLAP! 2005, 2006, y 2007, evento de debate, difusión y discusión literaria de realce regional. Esta, es una muestra poética de sus miembros, otorgada generosamente por los mismos a nuestra revista, con el ánimo de estrechar los lazos (tan cercanos y lejanos), derribar las fronteras e iniciar un circuito de interacción cultural peruano-brasilero.

Aliás, a página criada para a divulgação da Antologia Vacamarela ficou muito bonita. Para conferir, basta clicar aqui.

 

 



Escrito por Victor Del Franco às 11h32
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O CASULO 8

LANÇAMENTO

 

 

 

Mais um ano da Virada Cultural em São Paulo, e dessa vez tem o lançamento da oitava edição do Jornal de Literatura Contemporânea – O Casulo. Compareça.

 

 

Nesta edição:

 

- Entrevista com Ricardo Aleixo

- Poemas de:

   Annita Costa Malufe

   Zhô Bertholini

   Renato Mazzini

- Tradução de Hermann Hesse (por Tercio Redondo)

- Seção Diversas Vozes (12 poetas)

- Ilustrações de Jozz

 

E aqui vai mais uma amostra d´O Casulo 8:

 

um dia mais longo um dia mais curto

a cor deste dia que se estende se alonga esta luz

deste único dia o que faz deste dia este e não outro

um grau exato na extensão dos dias

repito e repito não serão os mesmos

dias daqui olhando no quintal de sobreaviso

a luz que se prolonga distanciando os dias

esses dias longos sem você cada dia a lembrança ganha

um novo matiz como se a imagem fosse sempre outra sempre

refeita a sua imagem a sua voz um timbre e palavras que não

me lembrava até ontem a cor de cada dia é diferente um matiz

a mais ou a menos poderíamos enumerar os graus as nuances

dos dias em miniaturas minuciosamente esculpidas poderíamos

retomar a cada vez uma linha um matiz um timbre uma voz

e a cada dia outra a cada dia uma outra voz uma nova cor

este espaço que se inicia a cada vez e diferente

 

(Annita Costa Malufe – Poema inédito)

 

Clique aqui para conhecer o blog d´O Casulo.

 



Escrito por Victor Del Franco às 16h07
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O CASULO 8

 

 

 

A próxima edição do

Jornal de Literatura Contemporânea – O Casulo

já está quase pronta.

Por enquanto, deixo aqui uma amostra:

 

Sempre trabalho a partir de um projeto, e muitas vezes este projeto é determinado por um som que eu ouço, por um ritmo, por um, sei lá, às vezes um riso de criança. Um riso de criança não interessa, senão pela condição de pai,  pelo fato de ser um riso de criança, mas as inflexões, os desenhos melódicos, a duração disso no tempo, o que aquilo tem de ocupação de espaço acústico. Aquilo pode ficar ali na minha sensibilidade e acabar sugerindo algo que, à medida que as palavras vão surgindo, e às vezes nem palavras – os contornos técnico-formais vão também se dando. Aí eu sei, “isso aqui vai ser uma canção,  isso aqui vai ser um poema gráfico, isso aqui vai ser um videopoema”. E, no melhor dos casos, consigo criar versões diferentes do mesmo trabalho nos mais diversos suportes.

 

(Trecho da entrevista com o poeta Ricardo Aleixo)

 

O Casulo 8

Lançamento na Virada Cultural de São Paulo.

 

Se quiser conhecer o blog d´O Casulo

É só clicar aqui.



Escrito por Victor Del Franco às 20h33
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PESSOA INEXISTENTE

 

 

 

E tal qual fui, não sendo nada, eu seja!

(O último sortilégio – Fernando Pessoa)

 

 

 

EU NÃO SEI SE FERNANDO PESSOA REALMENTE EXISTIU

(Poema de Emmanuel Hocquard)

 

 

Eu não sei se Fernando Pessoa realmente existiu
(admitindo que saibamos o que existir quer dizer)
mas eu acho que ele existe à medida
que cada um de nós acha que ele existe.
E que neste sentido ele é único.
Não no sentido em que cada um de nós é único
– ou pensa ser –
mas no sentido em que Fernando Pessoa é único
isto é, como um gerânio
no meio de outros gerânios,
isto é, como todo mundo.

O que o torna tão diferente de muitos dos outros poetas
é a sua indiferença a todas as coisas,
dentre elas, à poesia e à indiferença.
Sua indiferença não é uma pose, nem uma atitude.
Ela é a expressão de uma inteligência viva.
Para Fernando Pessoa, ser inteligente é duvidar de todas as coisas,
dentre elas, da inteligência e da dúvida,
é tentar se desfazer daquilo que aprendemos.
Fernando Pessoa manejava sua inteligência
como o contrabandista de Valery Larbaud que usa
seu pequeno espelho de bolso
para assegurar que os funcionários da alfândega não estão na sua cola.
Eu acho que ele tinha um olhar de mosca.
E que seus olhos de mosca lhe permitiam ver tudo
ao mesmo tempo, uma coisa e seu contrário,
mais alguma coisa que não é exatamente seu contrário
e que é, no fim das contas, a mesma coisa.

Admitindo que Fernando Pessoa tenha algum dia existido
(e que tenhamos chegado a um acordo sobre o que existir quer dizer)
eu acho que ele era do tipo que podemos chamar solitário,
e que ser solitário como eu imagino que ele tenha sido
é estar presente ao mesmo tempo em todos os lugares e em lugar nenhum
é ser ao mesmo tempo todo mundo e ninguém.
Ser Fernando Pessoa é ser tudo, para ele somente.
E alguma coisa que se relaciona com o sono.

T.S. Eliot precisava de Deus para amar
e para escrever o que ele escreveu.
A metafísica dava náuseas em Fernando Pessoa
porque a metafísica supõe uma dualidade
que lhe revolvia o estômago.
Esta náusea da alma (que ele mantinha
ao escrever o que ele escrevia)
lhe fez escrever o que ele escreveu
até não poder mais pensar, até este esgotamento
que se relaciona com o sono.

A voraz banalidade das coisas cotidianas
é seu ponto de partida e seu ponto de chegada.
Ele não pega uma coisa qualquer da realidade de todos os dias
para destacá-la e lhe dar um sentido
mais alto, nem outro sentido qualquer que esteja fora dela mesma.
Ele pega uma coisa banal que ele expõe por um momento
à luz enganosa da metafísica
para recolocá-la, inalterada – ou quase –
na banalidade voraz das coisas cotidianas.

Seigen Ishin afirmava que antes de estudar o Zen
sob a orientação de um bom mestre
as montanhas são montanhas e as águas são águas.
Que, chegando a uma certa visão interior da verdade,
as montanhas não são mais montanhas
e as águas não são mais águas.
Mas que uma vez atingido o estado de quietude,
de novo as montanhas são montanhas
e as águas são águas.
Eu não compreendo muito bem o que isso quer dizer,
mas eu acho que Fernando Pessoa teria ficado contente
de entender.

Sem sombra de dúvida, é em torno dessa questão,
ou de alguma coisa próxima a isso, que giram sua lucidez
e sua retórica de gerânio.


                    (tradução inédita de Marília Garcia)

 

 

Poema retirado do blog

da revista literária Modo de Usar & Co.



Escrito por Victor Del Franco às 21h05
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CONTEMPORÂNEOS

 

 

 

A literatura contemporânea, em particular a poesia, será tema de mais uma série de encontros sobre as vozes poéticas mais recentes nas letras brasileiras. Anote na agenda e compareça.

 

 

Introdução à leitura de poemas contemporâneos é um curso que irá fornecer aos participantes ferramentas teóricas para sua reflexão acerca da poesia contemporânea brasileira e também promover a leitura dessa produção. Em um primeiro momento, faremos um breve panorama dos principais eventos da poesia moderna nacional e um detalhamento de algumas características do cenário literário, desde a década de 70 até a atualidade. Em um segundo momento, iremos nos dedicar ao exame de algumas características que se manifestam nas obras de diferentes poetas contemporâneos na tentativa de identificar os diversos recursos temáticos e estilísticos que a poesia mais recente tem privilegiado. Essas aproximações visam tornar mais acessível, rico e prazeroso o contato dos leitores com a produção poética contemporânea.

 

Idealizadora do Curso

Andréa Catrópa é poeta, mestre em Teoria Literária FFLCH/USP e co-editora do jornal de literatura contemporânea O Casulo. Integra a coletânea 8 Femmes e seu primeiro livro de poemas será em breve publicado pela Coleção Caixa Preta (Lumme Editor).

 

Quando?

O curso tem início no dia 08 de março, será gratuito, aberto ao público em geral e a inscrição poderá ser feita mesmo após as primeiras aulas.

 

Onde?

Biblioteca Alceu Amoroso Lima

Rua Henrique Schaumann, 777 - Pinheiros



Escrito por Victor Del Franco às 17h57
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MACHADO NA CABEÇA IV

 

 

 

O DESFECHO

 

Prometeu sacudiu os braços manietados
E súplice pediu a eterna compaixão,
Ao ver o desfilar dos séculos que vão
Pausadamente, como um dobre de finados.

 

Mais dez, mais cem, mais mil e mais um bilhão,
Uns cingidos de luz, outros ensangüentados...
Súbito, sacudindo as asas de tufão,
Fita-lhe a águia em cima os olhos espantados.

 

Pela primeira vez a víscera do herói,
Que a imensa ave do céu perpetuamente rói,
Deixou de renascer às raivas que a consomem.

 

Uma invisível mão as cadeias dilui;
Frio, inerte, ao abismo um corpo morto rui;
Acabara o suplício e acabara o homem.



Escrito por Victor Del Franco às 18h49
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