SAIDEIRA 2005
Todo final de ano segue, quase sempre, o mesmo roteiro: reunião de família, ceia de Natal, exageros etílicos, amigo secreto com troca de presentes e por aí vai. Pra variar, uma certa dose de melancolia também costuma aparecer nessa época. Seja como for, é recomendável sempre ter em mãos um Engov e um pouco de sal de frutas. Passada a ressaca, uma boa leitura sempre é bem-vinda, portanto, na bagagem para a saideira de 2005 estarão presentes:
Os perigos da poesia e outros ensaios (José Paulo Paes)
O filho do crucificado (Nelson de Oliveira)
Inferno (Patrícia Melo)
Os fios da memória (Adriana Lisboa)
O mito de Sísifo (Albert Camus)

Um brinde de Boas Festas e em 2006 tem mais.
Escrito por Victor Del Franco às 15h53
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HAIKAI
Contra a correnteza
segue sempre a Piracema
no fluxo da vida.
(Poema que faz parte do
Fóton: Uma Partícula de Luz - Volume 5 / Junho 1995)
Escrito por Victor Del Franco às 19h45
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PARA ENTRAR NO CLIMA
Alea jacta est
– Stjepan, Darijo Srna, Kranjcar...
– Hein?!
– Josip Simunic, Klasnic, Babic...
– Endoidou?
– Não me atrapalha, Juvenal. Não está vendo que estou concentrado?
– Mas que merda é essa que você está fazendo?
– Mandinga.
– Mandinga?!
– É, porra! Mandinga, vodu, despacho, cruz-credo, sei lá. Chame do que você quiser. O importante é que esse trabalhinho dê resultado.
– Trabalhinho? Que tipo de trabalhinho?
– Esse aqui, não está vendo?
– Só estou vendo um monte de papeizinhos rabiscados.
– Pois é, o trabalhinho é esse mesmo. Estou escrevendo os nomes de todos os jogadores da Croácia nesses papeizinhos pra depois colocá-los na boca de um sapo morto.
– Hummm... sei, sei... Lá vem você de novo com essas besteiras e fanatismos babacas. Era só essa que faltava, Agenor. Você, mais do que ninguém, já devia estar careca de saber que se esse negócio de mandinga ou qualquer outra crendice semelhante pudesse dar certo, o campeonato baiano sempre terminaria empatado.
– Eu já disse, Juvenal, não me atrapalha. Eu não posso perder a concentração justo agora.
(continua)
Escrito por Victor Del Franco às 19h36
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– Toninho, traz uma cerveja aqui pro nosso amigo que ele está precisando refrescar as idéias.
– Cerveja, só se for lá da terra dos cangurus.
– Como é que é, Agenor?
– Isso mesmo. Só se for uma cerveja australiana.
– Toninho, traz duas cervejas. O nosso amigo está pior do que eu imaginava.
– Só tem Brahma e Antarctica.
– Então não precisa trazer.
– Que é isso, Agenor, você nunca foi de recusar uma cervejinha gelada.
– Não estou recusando. Só estou dizendo que precisa ser uma cerveja australiana.
– E eu posso saber por quê?
– É pra fazer macumba numa encruzilhada.
– ?!
– Noventa milhões em ação, pra frente Brasil, salve a seleção...
– Você está passando bem, Agenor? Que negócio é esse de fazer macumba? E, ainda por cima, com cerveja australiana... onde é que você vai encontrar cerveja australiana por aqui?
– Eu dou um jeito, pode deixar... e não é só a cerveja, não... tem também dois pés de galinha, farofa e uma vela preta.
– Toninho, traz um engradado completo de cerveja porque o caso é grave. O nosso amigo está começando a delirar.
– Ogasawara, Miyamoto, Nakamura...
– Espere um pouco, Agenor. Você também está pensando em fazer algum tipo de mandinga contra o Japão?
– E por que não? Qual é o problema?
– Mas o técnico do Japão é o Zico, porra! O que você tem contra ele?
– Aí é que está a melhor parte. É justamente por isso que o trabalhinho contra o Japão será muito mais elaborado. Veja bem, Juvenal, preste atenção: no jogo do Brasil com o Japão eu estou prevendo que acontecerá um pênalti no último minuto do segundo tempo a favor dos samurais. A partida estará 2 x 1 para nós e o Japão precisando do empate para se classificar à próxima fase. Acompanhe o meu raciocínio, Juvenal: o Zico vai pedir pro melhor jogador japonês bater o pênalti, AHAHAHAH! E sabe o que vai acontecer, Juvenal? Hein, Juvenal, sabe?
– Toninho, suspende a cerveja e chama um médico. Rápido!

Escrito por Victor Del Franco às 19h29
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UM TRIBUTO
À IMAGINAÇÃO
Ao que parece, essa semana inteira está sendo dedicada à lembrança dos 25 anos da morte de John Lennon. Em todo lugar há homenagens (rádios, revistas, jornais, especiais de TV) e, pra não passar em branco, aqui vai uma pequena contribuição:

Você não vai se sentir um homem melhor em nenhum lugar, porque eu já estive em todos os lugares e só me encontrei em mim mesmo.
(John Lennon)

Well, we all shine on Like the moon and the stars and the sun Yeah, we all shine on Come on and on and on and on
(Instant Karma – John Lennon)
Escrito por Victor Del Franco às 17h43
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E POR FALAR
EM MITO...
O mito da caverna
Vivas imagens
que iludem
escorrem de um
caduco televisor
no escuro profundo
dessa mórbida caverna
onde me confundo.

(Poema que faz parte do
Fóton: Uma Partícula de Luz - Volume 4 / Abril 1995)
Escrito por Victor Del Franco às 20h57
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