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Fóton: Literatura e Outras Partículas
 


FLAP! 2007

ESQUENTANDO OS MOTORES

 

 

Fiquem atentos, nós estamos apenas começando os preparativos da FLAP! 2007 mas as notícias já estão voando.

 

QUASE LÁ

(por Mônica Bergamo)

 

Os organizadores da Flap - corruptela alternativa da Flip, a Festa Literária Internacional de Parati -, que até agora faziam o evento com recursos próprios, estão buscando patrocínios para ampliar sua programação. Querem trazer autores latino-americanos na próxima edição, em julho.

 

(Folha de São Paulo, 29/01/07 - Caderno Ilustrada)



Escrito por Victor Del Franco às 18h02
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FALHA NO SISTEMA

 

 

mar de palavras

e sons e imagens e sensações

onde tudo é informação

deformação de caracteres

linguagem binária

devorando a tela

mastigando digerindo remoendo

o que foi dito ou não-dito

ou escrito pela enésima vez

sem precisão alguma

em meio a tantas variações

e variáveis de versões

que ninguém mais sabe o que é

                                    ou não é

                                    ou deixou de ser

                                    sei lá

                                    talvez

                                    pode ser

                                        ou

                                    não ser

você não tem direito

a nenhuma questão

pois tudo já foi digitalizado

decifrado codificado padronizado

de acordo com as normas

e configurações de nosso sistema

digite a sua senha

                                 ******

muito bem

a sua mente foi conectada

e nós temos os seus dados



Escrito por Victor Del Franco às 03h17
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você quebrou a vidraça da vizinha

e colocou a culpa em terceiros

você colou na prova de matemática na 5ª série

você se masturbou no banheiro da igreja

você traiu a sua primeira namorada

 

agora chega

não queremos mais saber

dessas miudezas de vida

lembranças sem consistência

 

agora não tem mais jeito

                  nem remédio

                  e remediado está

                  ou não está

                  e tanto faz

                  ou desfaz

                  e que se dane

não importa

o que você pensa

          ou repensa

ou o que você pensa

          que sabe

você não sabe de nada

a única realidade possível

está armazenada

em nossos arquivos

e memória

                  todo o restante

                  será deletado

fim da transmissão.

 

 

 



Escrito por Victor Del Franco às 03h14
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TRADIÇÕES

 

 

Entrelivros: Pensando na idéia de que o bom livro é aquele que carrega em si a tradição e dá um passo adiante, a literatura não seria uma construção coletiva, de todos os escritores em conjunto?

Piglia: Sim, faz sentido. O escritor escreve porque antes se escreveu e ele aspira incluir, nessa rede, uma percepção ausente, um pequeno rastro de alguma coisa que não estava ali. Todos os livros são uma tentativa de marcar alguma coisa na língua, algo que seu autor tem a fantasia de que não existia antes. Evidentemente, se fosse possível ter acesso a toda informação, sempre se descobririam esses rastros em algum lugar oculto do universo da cultura. E, no entanto, essa aspiração de dizer algo diferente é fundamental para a riqueza da literatura. A tradição, nesse sentido, pode ser entendida como algo que ajuda a escrever, a referência do que já se fez que permite dimensionar o que se pode vir a fazer. A tradição é como um rio em que se nada, que irremediavelmente acompanha toda nova narrativa.

 

(Trecho da entrevista de Ricardo Piglia que está na revista Entrelivros deste mês)

 

Por falar em tradição, os Cadernos de Literatura Brasileira (Instituto Moreira Salles), em sua edição comemorativa de 10 anos, dedica as suas páginas a Guimarães Rosa. O autor de Grande Sertão também se arriscou pelas veredas da poesia, embora ele não estivesse “muito de acordo” com ela, segundo suas próprias palavras:

 

“O Magma, aqui dentro, reagiu, tomou vida própria, individualizou-se, libertou-se do meu desamor e se fez criatura autônoma, com quem talvez eu já não esteja muito de acordo, mas a quem a vossa consagração me força a respeitar.”

 

O livro Magma, apesar de ter sido premiado pela Academia Brasileira de Letras em 1936, permaneceu inédito por décadas, levando uma vida quase clandestina e conhecido por alguns poucos privilegiados. Somente em 1997 (30 anos após a morte de Guimarães Rosa) a editora Nova Fronteira publicou os poemas. Um deles segue abaixo:

 

 

Consciência Cósmica

 

 

Já não preciso de rir.

Os dedos longos do medo

largaram minha fronte.

E as vagas do sofrimento me arrastaram

para o centro do remoinho da grande força,

que agora flui, feroz, dentro e fora de mim...

 

Já não tenho medo de escalar os cimos

onde o ar limpo e fino pesa para fora,

e nem de deixar escorrer a força dos meus músculos,

e deitar-me na lama, o pensamento opiado...

 

Deixo que o inevitável dance, ao meu redor,

a dança das espadas de todos os momentos.

E deveria rir, se me restasse o riso,

das tormentas que pouparam as furnas da minha alma,

dos desastres que erraram o alvo do meu corpo...



Escrito por Victor Del Franco às 20h00
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DE VOLTA AO BLOG

 

 

Retomar o ritmo após a parada de final de ano sempre demora um pouco. A dificuldade maior é justamente o fato de não saber muito bem o que postar. Entretanto, na última sexta-feira lá na Mercearia São Pedro, tomando uma cerveja com Fábio e Ju Aristimunho e também com Ana Rüsche, comentei sobre a leitura dos contos que estão no livro Breves fraturas portáteis de Tadeu Sarmento. A maioria dos contos possui uma linguagem e/ou estrutura poéticas e notei que dali poderia surgir uma “poesia alheia”.

                          

Quem quiser saber do que se trata a Poesia Alheia, existe um manifesto muito interessante que pode ser lido lá no Dragão na Janela.

 

Feitas as devidas considerações, vamos ao principal:

 

 

Cartas na mesa

 

 

Os jogadores sentados

são graves e silenciosos

porque apostaram tudo.

 

Cigarros acendem

            e apagam

são estrelas de fôlego curto.

 

Os jogadores manejam bem

                                      cartas

                                      cigarros

                                      e blefes

 

                                                       menos um

 

O um é quem mais precisa ganhar.

O um tem dívidas acumuladas.

O um tem péssimas cartas

e suas mãos tremem um pouco

embora acredite que será salvo.

 

Deus está do lado de quem vence.

 

(continua)

 



Escrito por Victor Del Franco às 19h09
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O um é cristão

e crê na piedade do sangue do Espírito.

 

Deus é loiro,

tem olhos azuis

e é formado em Direito no Mackenzie.

 

Cigarros são acesos.

 

O um mergulha na sombra

e na aflição do tempo que corre.

 

Deus é fiel ao sangue de Seus filhos,

        aos demais

Ele oferece genocídios

e a vingança escura

de Sua força indecifrável.

 

A Fé é uma linha de crédito

onde se está sempre no vermelho,

                   por isso,

o um perderá o jogo.

 

Deus é loiro,

tem olhos azuis

e é formado em Direito no Mackenzie.

 

O Diabo idem,

com a vantagem de ter matado aula

para jogar cartas no refeitório.

 

Ele piscou o olho

            para mim.

 

 

 

(Poesia alheia retirada do conto Dostoiévki

que está no livro Breves fraturas portáteis

de Tadeu Sarmento - Editora Fina Flor, 2005)



Escrito por Victor Del Franco às 19h07
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