LATINIDAD 3
Corpo despido no barco.
Junto a ele dorme um peixe
que ausente do corpo verte
um novo ponto prateado.
Pois entre o bosque e esse ponto
estático barco exala,
sopra em meu pescoço a brisa
que na ave se evaporava.
O ímã entre tantas folhas
tece uma dupla coroa.
Somente um ramo caído.
Sem lesão o barco escolhe
essa árvore que recorda
sonho de serpente à sombra.
(Trad. Victor Del Franco)
Cuerpo desnudo en la barca. Pez duerme junto al desnudo que huido del cuerpo vierte un nuevo punto plateado.
Entre el boscaje y el punto estática barca exhala, tiembla en mi cuello la brisa y en el ave se evaporaba.
El imán entre las hojas teje una doble corona. Sólo una rama caída.
Ilesa la barca escoge el árbol que rememora sueño de sierpe a la sombra.
(José Lezama Lima)
José Lezama Lima nasceu em 1910 em Cuba - Campamento de Columbia, nas proximidades de Havana. Poeta, ensaísta e novelista é considerado um dos autores mais importantes da literatura latino-americana deste século. Algumas de suas obras: Morte de Narciso (Poesia, 1937), Aventuras Sigilosas (Poesia, 1954) e Paradiso (Novela, 1966). Faleceu em Havana em 1976.
Escrito por Victor Del Franco às 01h08
[]
[envie esta mensagem]

LATINIDAD 2
IMÓVEL NESSA LUZ, PORÉM DANÇANTE...
Imóvel nessa luz, porém dançante,
teu movimento a tal quietude cria
na elevada vertigem pois se alia
detendo não o vôo, mas o instante.
Luz que não se reparte, já diamante,
prisioneiro esplendor do meio-dia,
sol que não se consome nem se esfria
entre cinzas e fogo eqüidistante.
Espada, chama, incêndio lapidado,
nem minha sede anima nem a mata,
uma absorta luz, astro ensimesmado:
teu corpo de si mesmo se desata
e em queda se dispersa tal brancura
e voltas a ser água e terra escura.
(Trad. Victor Del Franco)
INMÓVIL EN LA LUZ, PERO DANZANTE...
Inmóvil en la luz, pero danzante, tu movimiento a la quietud se cría en la cima del vértigo se alía deteniendo, no al vuelo, sí al instante.
Luz que no se derrama, ya diamante, detenido esplendor del mediodía, sol que no se consume ni se enfría de cenizas y fuego equidistante.
Espada, llama, incendio cincelado, que ni mi sed aviva ni la mata, absorta luz, lucero ensimismado:
tu cuerpo de sí mismo se desata y cae y se dispersa tu blancura y vuelves a ser agua y tierra oscura.
(Octavio Paz)
Octavio Paz, poeta e ensaísta nascido em Mixcoac, Cidade do México em 1914. Em 1990 obteve o Prêmio Nobel de Literatura como reconhecimento por sua obra. Entre seus principais livros encontram-se: O labirinto da solidão e O arco e a lira. Faleceu em 1998.
Escrito por Victor Del Franco às 20h38
[]
[envie esta mensagem]

LATINIDAD
Estou com a leve impressão de que a latinidade está em alta. Acho melhor aprimorar o meu portunhol (selvagem?). Quem sabe algumas traduções me ajudem.
Objetos na solidão
Entrar em uma casa, comer frio.
A ternura deixou os seus chinelos
debaixo de uma sombra. Desconfio
do sigilo de lâmpadas e assentos
e alguns comportamentos amarelos.
O que fica em silêncio assusta, fere,
provoca pânico, derrama o canto.
Não há cálculo algum que não revele
tesouras na fileira deste espanto,
um alfinete idêntico ao meu pranto.
Não há quem traga pálpebras de fora,
ocultas, névoa, senhas bem tremidas.
Um ruído de recantos desconsola
e tão somente móveis homicidas
falam sobre preparos, despedidas.
Um ganha gestos, modos de suspeita,
envelhece de tanto desconcerto.
Não há remédio além da flor desfeita
e cuidar de um cigarro morto, incerto.
Sociedade sem nome assim por certo.
E o pior é que o travesseiro acossa
com iminência lúcida. Dormir
tem uma ambigüidade perigosa
que nestas noites não se fala ou diz:
em desolação não hei de partir.
(Trad. Victor Del Franco)
Escrito por Victor Del Franco às 03h41
[]
[envie esta mensagem]

Objetos eN soledad
Entrar en una casa, comer frío. La ternura dejó sus zapatillas debajo de una sombra. Desconfío del sigilo de lámparas y sillas y de algunas conductas amarillas.
Lo que se queda quieto alarma, duele, comete pánico, derrama el canto. No hay estadística que no revele tijeras en la fila del espanto, un alfiler que se parece al llanto.
No habrá quien traiga párpados de afuera,
solapas, humo, señas ateridas.
Un ruido de rincones desespera
y solamente muebles homicidas
dicen preparativos, despedidas.
Uno gana modales de sospecha,
envejece de tanto desconcierto.
No hay más remedio que una flor deshecha,
que vigilar un cigarrillo muerto.
Soledad bien anónima, por cierto.
Y lo peor es que la almohada acosa
con inminencia lúcida. Dormir
tiene una ambigüedad tan peligrosa
que en tales noches nunca hay que decir:
de esta desolación no he de morir.
(Maria Elena Walsh)
María Elena Walsh, nasceu em 1930 em Ramos Mejía, subúrbio de Buenos Aires. Em 1945 publicou seus primeiros versos na revista El Hogar e no suplemento literário de La Nación. Desde 1959 escreve para TV, peças teatrais e canções para crianças.
Escrito por Victor Del Franco às 03h39
[]
[envie esta mensagem]

|