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Fóton: Literatura e Outras Partículas
 


O CASULO 6

 

 

 

O Casulo: Em 2005, você lançou “Ode descontínua e remota para flauta e oboé”, CD no qual musicou uma série homônima de poemas de Hilda Hilst. Gostaria que falasse um pouco da sua experiência com Hilda.

 

Zeca Baleiro: Hilda era uma figura fantástica. Quando fiz meu primeiro CD, enviei uma cópia autografada a ela, com carinho de fã, sem maiores interesses. Pra minha surpresa, ele me ligou dias depois, com a voz debilitada por uma isquemia, e falou que queria ser minha parceira, que tinha adorado “Heavy Metal do Senhor” e “Bandeira”, que literatura não dava dinheiro, um monte de coisas... achei aquilo divertido e inusitado, porque sempre fui um admirador da sua literatura. Ela foi uma “descoberta literária” que muito me espantou e instigou. Então ela me enviou um disquete com toda a sua obra poética, antes mesmo de todos os seus livros serem relançados pela Editora Globo. Fiquei namorando os seus poemas, até que comecei a musicar sem muitos planos a “Ode”. Fiquei muito envolvido com aquilo e gostando das canções que surgiam. Então gravei tudo e mandei pra ela ouvir. Ela adorou, não sem contestar a métrica de um dos versos, claro, e então lancei a proposta de fazermos um disco de cantoras. Ela adorou e se entusiasmou, começou a propor nomes, Marisa Monte, Nana Caymmi, Maria Bethânia... assim nasceu o disco. Mas desde que a conheci até a feitura do CD, foram pelo menos oito anos. No meio do caminho, já meio doente e debilitada, ela morreu, o que me entristeceu muito. Queria muito que ela o visse pronto, mas não deu.

 

(trecho da entrevista de Zeca Baleiro

que foi publicada n´O Casulo 6)

 

*****

 

V

 

Quando Beatriz e Caiana te perguntarem, Dionísio,

Se me amas, pode dizer que não. Pouco me importa

Ser nada à tua volta, sombra, coisa esgarçada

No entendimento de tua mãe e irmã. A mim me importa,

Dionísio, o que dizes deitado, ao meu ouvido

E o que tu dizes nem pode ser cantado

Porque é palavra de luta e despudor.

E no meu verso se faria injúria

 

E no meu quarto se faz verbo de amor.

 

 

(poema que faz parte do livro

Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão”, 1974,

de Hilda Hilst e foi musicado por Zeca Baleiro)

 

 

Mais novidades e informações

sobre o lançamento d´O Casulo 6, em breve.



Escrito por Victor Del Franco às 21h06
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DEMÔNIO NEGRO E DIX

NA CASA DO IMPERADOR AMARELO

 

 

 

Neste sábado, 14 de julho, acontecerá o lançamento de mais 4 livros do selo Demônio Negro juntamente com outros 2 livros do selo Dix.

 

Para reforçar o convite, aí vão alguns poemas:

 

 

A arqueologia do homem

 

almoça e janta

as entranhas da terra

enquanto escava as ruínas

da própria existência

            sítio sem fundo

 

aqui

uma Pedra de Roseta no rim

e um crânio mumificado

 

                                               acolá

uma epiderme de manuscritos leprosos

e um branco sudário envolvendo um coração pagão

 

quem sabe ainda um farol

            (de Alexandria?)

            no fim do túnel.

 

(continua) 



Escrito por Victor Del Franco às 15h46
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A canção do limpa-vidros

 

eu, um peixe de aquário, gordo,

consumindo o que surge dessas águas turvas.

 

os passantes lá embaixo como polvos de patins,

uma menina com um buraco negro a tiracolo e chicletes.

 

ao lado dos jornais de internet,

meus cactos morrem em sua compulsão por água.

 

os ursos polares serão extintos pelas geladeiras.

na austrália, baleias se suicidam na areia.

 

continuo consumindo qualquer coisa que brilhe um pouco,

eu, um peixe a apodrecer gordo nessas águas sujas.

 

 

Para conhecer um pouco mais

a poesia da Ana Rüsche é só clicar aqui.

 

Os outros lançamentos da noite:

 

Demônio Negro

- Pena y Pluma (Sónia Bettencourt)

- História Impossível (Furio Lonza)

 

Dix

- A Louca (Del Candeias)

- Amsterdã SM (Antonio Vicente Pietroforte)

 

Quando?

Sábado, 14 de julho

A partir das 20 horas

 

Onde?

Casa do Imperador Amarelo

Rua Itararé, 164 (próximo ao Shopping Frei Caneca)



Escrito por Victor Del Franco às 15h38
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LANÇAMENTO

 

 

 

Após a FLAP, agora é a vez do Demônio Negro mostrar a cara e se apresentar novamente com mais uma série de livros artesanais.

 

Eis o convite do lançamento:

 

 

Anote na agenda e compareça.



Escrito por Victor Del Franco às 00h23
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DEMÔNIOS ARTESANAIS

 

 

 

E para você conhecer um pouco mais o tal Demônio, confira a matéria que fala sobre os próximos passos deste selo editorial.

 

 

PRIMOR PELA TÉCNICA ARTESANAL

Priscilla Brossi Gutierre - Portal Literal

 

Demônio Negro é um projeto pessoal de Vanderley Mendonça, um dos sócios da Amauta Editoral, editora brasileira especializada em literatura ibero-americana. O selo é uma promessa de muito investimento no trabalho feito à mão que resgata a tradição e o cuidado com o objeto livro (o editor desenha, imprime, costura, cola e monta cada exemplar, misturando técnicas modernas e antigas para a produção dos exemplares). Também aqui a aposta é em material inédito.

 

A idéia de fazer livros baratos, artesanais, recorrer às formas primárias de produção gráfica, é antiga. "Quero resgatar a arte dos mestres tipógrafos, impressores como o italiano Aldo Manuzio e brasileiros como Cléber Teixeira e Guilherme Mansur", explica Vanderley, que é um estudioso das artes gráficas.

 

O primeiro livro do selo, Doze, com 12 contos de 12 autores -- Claudinei Vieira, Roberto Guimarães, Andrea del Fuego, Indigo, Donny Correa, Furio Lonza, Gabriela Kimura, Isolde Bosak, Marcos Cesana, Marcelo Barbão, Rodrigo Gurgel e Yara Camillo -- com miolo impresso em processo digital e capa dura impressa com tinta tipográfica, substituindo tipos móveis por fotopolímero gravado a laser, costurado e com guardas coloridas, teve a tiragem inicial de 60 exemplares, esgotada no lançamento, que aconteceu na Mercearia São Pedro, em São Paulo, em julho de 2006. O livro já está na terceira edição.

 

Ainda em 2006, foi lançada a coletânea Oitavas, poesias de autores novos ou muito pouco publicados, que reuniu o chileno Sergio González Valenzuela; o poeta, editor e tradutor argentino Cristian de Nápoli (Ed. Eloisa Cartonera); Pepe Valdez, poeta, editor e tradutor hispano-americano (Black Angel Press, Los Angeles), e os brasileiros Ana Rüsche, Elisa Andrade Buzzo, Paulo Ferraz, Victor Del Franco e Luiz Roberto Guedes. Oitavas teve tiragem inicial de 100 exemplares, lançado em outubro de 2006, juntamente com uma reedição de Doze, na Casa das Rosas, em São Paulo, e já tem também esgotada sua segunda edição.

 

Agora o selo Demônio Negro lança mais quatro títulos no próximo dia 14 de julho:

- Sarabanda, poesia de Ana Rüsche;

- Pena e Pluma, edição bilíngue da poeta portuguesa Sónia Bettencourt;

- O elemento subterrâneO, poesia de Victor Del Franco;

- História Impossível, novela experimental de Furio Lonza, escritor italiano radicado há anos no Brasil.

 

Para o dia 24 de julho havará também em São Paulo o lançamento de Sortilégio, de Edson Cruz, poeta e editor do site Cronópios, no bar Canto Madalena, também em São Paulo. E para outubro, o editor promete o livro de poemas eróticos do cineasta Sylvio Back, ilustrado com xilogravuras do artista Géza Heller.

 

Mas, como a idéia do Demônio Negro é fazer impressão dos títulos por demanda, as edições nunca se esgotarão. "Os interessados poderão solicitar ou esperar pelas próximas fornadas", explica o editor. Os livros custam R$ 25 e o e-mail de contato com o selo é vanderleymeister@gmail.com.



Escrito por Victor Del Franco às 00h18
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FLAP 2007

NO PORTAL LITERAL

 

 

O site de literatura Portal Literal fez uma cobertura interessante sobre a 3ª edição da FLAP. Confira a matéria:

 

 

FLAP! - Festa alternativa

 

Contraponto à Festa Literária Internacional de Paraty, a Flap! celebra a produção literária contemporânea fora do circuito comercial. Leia a cobertura completa do evento.

(Portal Literal – http://portalliteral.terra.com.br – 02.07.07)

 

Priscilla Brossi Gutierre

Uma Flip às avessas. Assim é a Flap!, evento criado há três anos por um grupo de jovens escritores com objetivo de abrir um novo espaço de discussão sobre literatura sem foco em grandes estrelas, ou autores-celebridade. Na edição de 2007, que aconteceu nos dias 29, 30 de junho e 1º de julho, em São Paulo, a Flap! discutiu as mais variadas fontes de contaminação da literatura hoje, o diálogo entre literatura e sala de aula, o intercâmbio com outras manifestações artísticas e a relação de nossa literatura com a dos países latino-americanos.

Apesar de a abertura do evento ter sido marcada por uma leitura de poesia contemporânea na Casa das Rosas, os organizadores ressaltam que a Flap! não se restringe à poesia. O evento busca um sentido mais amplo, mantendo o compromisso de tratar a poesia com a mesma importância e destaque que os demais gêneros.

 

Contaminações

 

Em clima de descontração, como uma grande turma de amigos, escritores e interessados em literatura acompanharam as cinco mesas de debates no Teatro Satyros, localizado na Praça Roosevelt, centro de São Paulo, região que está sendo revitalizada pela nova cena teatral e por diversos eventos literários que acontecem em torno do Sebo Bactéria, ponto de encontro no local. Anselmo Luis, o Bactéria, responsável pelo sebo, participou de um dos debates, lembrando os efeitos positivos da literatura pela região: "A arte tem feito coisas muito bacanas para a Praça Roosevelt", afirmou ele, que tem contribuído para arejar as prateleiras de livros com novos autores lançados pela sua coleção Bactéria.

 

Sobre as influências que exerce e recebe a literatura hoje, o escritor Marcelino Freire foi enfático: "Quero que todas as coisas me contaminem, quero que minha literatura esteja em todos os lugares". Para ele, os escritores devem estar atentos o tempo todo. O poeta Glauco Mattoso também falou sobre contaminação na obra literária, observando que acredita que, em seu caso, ela se expressa de maneira mais particular, na forma e conteúdo. Autor de mais de 1.400 sonetos, no início achava que o gênero não comportaria muitas mudanças. Até que percebeu que poderia "contaminar" o soneto, mantendo sua base formal, mas solapando o conteúdo, dialogando com toda a realidade política, social e até pornográfica. "O soneto é um excelente laboratório para a experimentação", explicou.

 

A relação de teatro, cinema e quadrinhos com a literatura também foi abordada durante a Flap!. Num bate-papo entre Alberto Guzik, Mario Bortolotto, ambos escritores e dramaturgos, e o escritor e cartunista, Lourenço Mutarelli, foi unânime a opinião de que, apesar do artista sofrer a influência contínua de filmes, música, artes plásticas e "das coisas da vida", o livro continua sendo a grande referência para a criação. "O livro é mais rico", explicou Bortolotto.

 

(continua)

 



Escrito por Victor Del Franco às 03h02
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Relações com a Academia e a sala de aula

 

A literatura no universo escolar e acadêmico fez parte da pauta. No caso específico das universidades, houve durante os debates uma forte crítica à postura de distanciamento da Academia com a produção contemporânea, à sistemática de focar as pesquisas apenas em autores mortos. Antonio Vicente Pietroforte, escritor e professor do departamento de Lingüística da Faculdade Letras e Ciência Sociais da USP, explicou que, no entanto, lentamente o intercâmbio dos estudos acadêmicos com a nova produção vem acontecendo, e citou o interesse de seus alunos pelo tema, que reflete em pesquisas sobre os autores e obras da nova geração.  

 

Professores de escolas públicas falaram sobre o desafio que é ensinar literatura para jovens que muitas vezes não têm qualquer tipo de estrutura ou referência familiar que facilite o acesso à leitura. Mas apontaram algumas experiências bem sucedidas no uso de autores contemporâneos para o trabalho com os alunos, pela proximidade que se pode estabelecer entre o escritor e o leitor, resultando num estímulo maior aos estudantes.

 

O mercado editorial de livros infanto-juvenis também esteve na berlinda. Algumas obras disponíveis hoje preocupam por apresentar um conteúdo em função de determinada necessidade pedagógica, feitos sob encomenda para abordar valores, o que traria perdas em termos de literatura.

 

Vida de escritor e relações com o continente

 

É possível sobreviver da literatura? A questão só é uma dúvida para quem não trabalha nesse mercado. A conclusão foi logo apresentada - é preciso fazer outras coisas para sobreviver. Os escritores presentes atestaram de pronto: viver somente de literatura é muito difícil. A escritora Andréa del Fuego, que tem três livros lançados, conta que precisa fazer "bicos", outros trabalhos como colaborações para publicações. "Não vivo de literatura", explica. Santiago Nazarian, com quatro já livros publicados, também afirma que precisa trabalhar em outras coisas para pagar suas contas no fim do mês. Ele faz traduções, roteiros para o cinema e também algumas colaborações para revistas. Mas garante que esses trabalhos contribuem de forma positiva, e que, ao contrário do que alguns possam achar, não o afastam de sua literatura.

 

A Flap!2007 também abordou o distanciamento ainda significativo entre a literatura brasileira e a dos demais países latinos na América. Há uma espécie de "Muro de Tordesilhas" entre as obras de língua portuguesa e espanhola, explicou Vanderley Mendonça, um dos sócios da editora Amauta, com foco em literatura latino-americana.

 

O poeta uruguaio Alfredo Fréssia, que vive no Brasil há muitos anos, afirmou que hoje o público leitor na região Mar del Plata lê mais a literatura brasileira do que há 50 anos. Mas ele destaca que ainda é preciso trabalhar muito para um real intercâmbio entre as literaturas. O escritor mato-grossense Joca Terron concorda que já existe um diálogo maior entre as produções contemporâneas desses países.

 

No encerramento da Flap!2007, o escritor Marcelo Mirisola leu texto com duras críticas à Festa de Paraty. Dentro da proposta desta Flip às avessas, até que fez sentido.



Escrito por Victor Del Franco às 03h00
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FLAP 2007

FOTOS FOTOS FOTOS

 

 

 

Para quem não foi à FLAP e perdeu a Festa Literária Aberta ao Público, segue abaixo uma relação de links com algumas fotos “oficiais” e outras nem tanto:

 

As minhas fotos estão aqui.

 

As fotos da Ana Rüsche estão aqui.

 

As fotos do Fábio Aristimunho estão aqui.

 

As fotos da Julia Lima estão aqui.

 

As fotos do Renan Nuernberger estão aqui.

 

As fotos do Ivan Antunes estão aqui.

 

Valeu pela participação de todos

e em 2008 tem mais.



Escrito por Victor Del Franco às 19h27
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