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Fóton: Literatura e Outras Partículas
 


A VACA NA SÉRIEALFA

 

 

  

A sérieAlfa é uma revista eletrônica de arte e literatura que é editada pelo poeta espanhol (valenciano) Joan Navarro.

 

 

Ele esteve aqui no Brasil, em 2007, para participar do Tordesilhas – Festival Ibero-americano de Poesia Contemporânea. Na ocasião, ele conheceu o trabalho do Coletivo Vacamarela e agora, na 38ª edição da revista, ele publicou poemas de todos os integrantes do grupo.

 

A revista é trilíngüe (português, catalão e espanhol).

 

Segue abaixo um trecho da apresentação (em catalão) do Coletivo Vacamarela na sérieAlfa:

 

El Col·lectiu VACAMARELA està format per 17 poetes que organitzen la FLAP!  des de la seua primera edició. En la seua majoria paulistans, van reunir les seues experiències individuals per a intensificar accions prèvies d’investigació i divulgació de la literatura contemporània, en especial de la poesia. La formació acadèmica en las àrees de Lletres, Dret o Comunicació és una dada comuna a tots els integrants del grup que, no obstant això, té la preocupació d’estendre el debat literari més enllà del públic especialitzat, format en la seua majoria per escriptors, crítics, professors i estudiants de literatura.

 

(...)

 

També en 2007, el Col·lectiu Vacamarela organitzà tertúlies i presentacions  en institucions com ara la Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura, la Biblioteca Alceu Amoroso Lima i el SESC Consolação, entre d’altres. Una altra acció, que va llançar oficialment el grup, fou l’organització de l’Antologia Vacamarela – 17 poetas do XXI, que conté una mostra de la producció de cadascun dels integrants del col·lectiu. L’edició del llibre és trilingüe (portuguès–espanyol–anglès) i la maquetació, l’edició i la traducció del volum va estar integralment a càrrec del grup. Aquesta iniciativa va tenir com a propòsit mitigar la barrera de la llengua en la divulgació de la poesia brasilera actual en països de llengua hispànica i anglesa.

 

Para conferir a apresentação completa

e todos os poemas do Coletivo VACAMARELA, basta clicar aqui.

 

Para conferir outras edições da revista sérieAlfa, basta clicar aqui.

 



Escrito por Victor Del Franco às 13h28
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CAIXA PRETA

 

 

  

Segundo as palavras da própria Andréa, ela já tem um filho, já comprou duas árvores e agora está lançando o seu primeiro livro, Mergulho às avessas, pela Lumme editor.

 

 

Outros dois livros também serão lançados, a saber:

- Pincel de Kyoto (Wilson Bueno)

- Poemas diversos (Elson Fróes)

 

Anotem as coordenadas:

 

Terça-feira, 24 de junho

a partir das 19 horas

Casa das Rosas (av. Paulista, 37)

 

 

Dois poemas da Andréa Catrópa:

 

 

SOB AS ONDAS

 

vamos a um lago

ou cachoeira imaginária

um pouco de torpor é preciso

talvez lá

nos espere um outro reflexo

estranho como deve ser o rosto

de um afogado

 

 

FOSSO

desgosto de tudo
não sei se doença
a aura inversa das coisas
ilumina-se
em saturno
sonhos de chumbo
são mote e blecaute
fantasmas de fumo
abrem o cadeado da pele
penetram pelos poros
pulmões são cinza massa
encefálica medula óssea
e há sempre um lugar mais fundo
onde cavar



Escrito por Victor Del Franco às 17h04
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GREGUERÍAS

 

 

  

 

Se há alguma coisa que deve se dizer logo de início é que o autor das Greguerías, Ramón Gómez de la Serna (Madri, 1888 - Buenos Aires, 1963) é toda uma literatura, como acontece com os universos verbais de Pessoa ou de Borges. (...)

 

Ramón adorava o mundo sem necessidade de subterfúgios teleológicos de nenhuma espécie. (...) E, como Alberto Caeiro, encontra metafísica suficiente em qualquer coisa simples, nesse território de jogo chamado mundo e do qual se desprende a relativização de nosso próprio lugar. Talvez por ter uma forte noção de que a realidade é esmagadora (...), Ramón propunha veementemente que só cabe escapar pela lei da imaginação (...)

 

As primeiras greguerías surgem antes do Manifesto dadaísta de T. Tzara, com nascimento datado entre 1910 e 1912. (...) Trata-se de um artefato literário na fronteira da prosa e da poesia, pela sua “capacidade de associação plástica”, onde o relâmpago visual e a concentração verbal se juntam. Ou quase haikus em prosa, como comparou Pedro Salinas, pela sua “atitude puramente poética, intuitiva”. (...)

 

Sabido é também que o escritor renunciava ao nome de aforismo por ter inventado essa voz própria: greguería, e a sua equação mágica: “metáfora + humor = greguería” (...) No fundo, a palavra breve, rápida, minúscula, que cruza em zigue-zague, quer estar mais perto da imaginação que dos versos em nó costurados. (...)

 

Daí que nas greguerías se reúna tudo, sem divisões nem classificações. Tudo entra na escrita de Ramón, nesse detector gregueriano que não pára de funcionar, de ativar-se nas correntezas do mundo, com seus vários tempos sincronizados. O mundo é um bazar que não separa imaterial e material. Estamos longe do discurso unificador, solucionador de mistérios e mais perto da dispersão que soma e acrescenta dados para uma totalidade impossível, sempre emendada, nunca articulada definitivamente. (...)

 

(Trechos do prefácio de Adolfo Montejo Navas)

 

 

Para completar os trechos acima, aqui vão algumas greguerías:

 

Ramón Gómez de la Serna

 

- Excesso de fama: difamação.

- O divã é uma cama que não tem pés nem cabeça.

- Era um pintor tão velho que seus pincéis ficaram carecas.

- A cabeça é o aquário das idéias.

- Colar de pérolas: dentadura postiça da garganta.

- Pingüim é uma palavra atacada pelas moscas.

- A letra Q é um gato que perdeu a cabeça.

- A morte é hereditária.

- O menino tenta tirar suas idéias pelo nariz.

- O livro é um pássaro com mais de cem asas para voar.



Escrito por Victor Del Franco às 03h40
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